O debate sobre o uso de smartphones em ambientes educacionais voltou ao centro das discussões após as recentes edições do ENEM. A pergunta permanece: deve-se permitir que estudantes ingressem em sala de aula portando seus próprios dispositivos móveis?
Essa questão envolve uma camada que vai além do uso de inteligências artificiais generativas. Trata-se do papel das tecnologias pessoais como ferramentas de acesso ao conhecimento, inclusão digital e desenvolvimento de competências necessárias a uma sociedade altamente conectada.
Alfabetização, autonomia e responsabilidade digital
O uso inadequado de tecnologias por parte de estudantes tem sido, em alguns contextos, associado ao “analfabetismo funcional”.
Entretanto, as definições oficiais do MEC e do Instituto Paulo Montenegro demonstram que o problema não se refere ao acesso à tecnologia, mas à ausência de políticas integradas de:
- educação digital,
- inclusão,
- formação docente continuada,
- desenvolvimento de pensamento crítico,
- e práticas pedagógicas alinhadas ao século XXI.
A responsabilização do estudante não resolve os desafios estruturais da educação.
A formação para uso ético, seguro e produtivo das tecnologias, sim.
Tecnologia como aliado, não como risco
Smartphones são hoje dispositivos equivalentes a computadores portáteis:
capazes de acessar acervos digitais, bibliotecas, ferramentas de acessibilidade, ambientes colaborativos e plataformas educacionais.
A proibição indiscriminada do uso desses recursos pode reforçar desigualdades — especialmente para estudantes que dependem exclusivamente do smartphone como principal ferramenta de acesso ao ambiente digital.
Ao mesmo tempo, o uso livre sem diretrizes pode trazer riscos relacionados a distrações, privacidade, segurança da informação e dispersão pedagógica.
Assim, torna-se necessário desenvolver políticas equilibradas, que incluam:
- regulamentos claros de uso;
- integração pedagógica com objetivos específicos;
- práticas orientadas à segurança digital;
- incentivo ao desenvolvimento de pensamento crítico;
- estratégias de inclusão digital e acessibilidade.
Por que o debate é essencial
A transformação digital já está consolidada.
Governos, empresas e instituições utilizam smartphones como plataformas completas de serviço.
No contexto educacional, isso significa que a formação de estudantes e profissionais precisa acompanhar o ritmo das mudanças sociais e tecnológicas.
Integração responsável de dispositivos móveis:
- reduz desigualdades,
- amplia acesso ao conhecimento,
- fortalece a autonomia digital,
- cria ambientes de aprendizagem mais conectados,
- prepara estudantes para demandas contemporâneas.
O papel das instituições na era digital
Mais do que discutir dispositivos, é necessário discutir competências digitais.
Ferramentas evoluem, mas princípios como ética, responsabilidade, pensamento crítico e literacia digital permanecem centrais.
Cabe às instituições:
- promover formação continuada,
- adotar políticas claras de uso de tecnologias,
- estabelecer práticas de governança digital,
- reduzir desigualdades de acesso,
- e criar ecossistemas de aprendizagem coerentes com a realidade contemporânea.
A discussão sobre smartphones não é sobre tecnologia em si, mas sobre como preparar a sociedade para um futuro que já chegou.

